Ser oradora

Chegou a vez da menina, hoje ela teria a oportunidade de se apresentar, sabia que era boa oradora. Subiu ao palco e sabia o que dizer, mas estavam todos cansados, conversando. Que fazer? Dizer blá blá blá e sair? Fechou os olhos e olhou para cima. Antes, ela estava lá fora, enquanto todos no salão aplaudiam o último orador e conversavam durante o rápido intervalo. Lembrou-se do passarinho que havia tomado sua atenção por completo e sentiu-se leve. Viu surgir na sua mente um pássaro lindo, azul, gigantesco, quase do tamanho do teto do imenso salão, voando lá em cima em pequenos círculos e rodopios. E pensou: se eu pudesse mostrar esse pássaro para que todos prestem atenção na beleza do que tenho a dizer. Por falar em atenção, lembrou-se de que estava no palco, de olhos fechados e percebeu que alguns já riam e zombavam dela. Então, ela apenas falou com entusiasmo: “Que lindo! Azul e grandão!” E apontou para o teto sorrindo. A barulheira virou murmurinho, silenciando aos poucos. Ela abriu os olhos e todos olhavam para cima. E começou: “Agora vamos desenhar o impossível e criar a realidade…”