Respirar

Cada vez que eu respiro

ainda falta o ar

mas eu suspiro

como é bom respirar

 

Eu adoecendo

tal qual cimento

endurecendo

Pode quebrar

ou respira e se expande

ou vai desabar

 

Tal casa de palha

que quer se passar

por algo que o valha

mas o lobo veio soprar

 

O que parecia não era

o que existia não há mais

O vento forte reitera

deixe tudo pra trás

Então venço essa fera

e sigo em paz

24 horas

Como caber tantas coisas em 24 horas do dia?

de alguma forma eu já sabia 

tanta ideia é alegoria

Só 24 horas no dia

 

Como fazer tudo isso desistir 

de se mostrar, de existir

cenas únicas e valiosas

Um dia só tem 24 horas

Nariz

Uma vez era difícil sair de mim

criança centrada e egoísta

mas amadureci um pouco, assim

perdi o ego de vista

Nossa, a vida é tão linda

Porque eu andava ainda

olhando o próprio nariz?

Como é bom ser feliz

O certo e o errado

Nem tão perto, nem tão longe

mas ficar no meio parado?

O que é certo e o que é errado?

Ser um guerreiro ou um monge?

 

Extremos extremados

parecem equivocados

Mas no meio, desconfigurado

é tão desconectado

 

O que move e leva adiante?

Justo o certo e o errado

Um

No vai e vem frenético

igual produto na esteira

não se vai a lugar nenhum

Só mais um mais um mais um

 

E assim se nasce e se cresce

Ama odeia vive e segue

zum zum zum zum zum zum zum zum

Se antes já soubesse 

não me preocuparia tanto

aceitaria por enquanto

ser só mais um

Igual a todos

Iguais ao um ao inverso

formando um universo

Amanhecer

Logo cedo a passarada 

me chama: acorda, vem!

É uma orquestra improvisada

que sempre soa bem

 

Levanto escutando 

a cantoria faceira

e o café vai passando

cheiroso na cafeteira

 

Meu olhar se esgueira

e me pego sorrindo

para a janela que clareia

 

É o filme mais lindo

ao som que alardeia

que o sol já vem vindo